Onde estudar mais sobre Rotinas de Pensamento?

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Julia Pinheiro Andrade

Quais fontes para se aprofundar?

Como tornar o pensar intencional e profundo uma rotina em toda sala de aula? A imensa pesquisa de mais de 50 anos do Project Zero, da Faculdade de Educação de Harvard, é hoje uma das grandes referências quando o assunto é fortalecer a cultura de pensamento para a compreensão em todas as áreas do conhecimento e em diferentes formas de organização da sala de aula.

Os livros-referência sobre o tema, porém, são quase todos publicados originalmente em inglês:

1) “O poder de tornar o pensamento visível: práticas para engajar e empoderar todos os aprendizes” (RITCHHART; CHURCH, 2020) foi traduzido pela Editora Penso e lançado no Brasil em 2025 (veja uma resenha completa que publicamos na Revista Yvirá aqui).

2) “Criando culturas de pensamento: as oito forças que devemos conhecer para verdadeiramente transformar nossas escolas” (RITCHHART, 2015).

3) “Fazendo o pensamento visível: como promover engajamento, compreensão e independência para todos os aprendizes” (RITCHHART; CHURCH; MORRISON, 2011).

Para quem lê em inglês ou espanhol, está disponível desde 2020 toda a “caixa de ferramentas” das Rotinas de Pensamento  do Project Zero no site oficial do projeto. Ainda não temos um grande arsenal em português, mas o que já existe é extremamente valioso.

Junto com o Instituto Catalisador, traduzimos oficialmente dez Rotinas de Pensamento para o português, já disponíveis dentro da caixa de ferramentas do Project Zero. Procure, por exemplo, pelas rotinas:

See–Think–Wonder (Vejo–Penso–Pergunto)
I Used to Think… Now I Think… (“Antes eu pensava que… agora penso que…”)
Compass Points (Bússola)
What Makes You Say That? (“O que te faz dizer isso?”)
Connect–Extend–Challenge (Conecto–Estendo–Desafio)
What If? (“Imagine se…?”)

O Instituto Catalisador é hoje uma fonte relevante de inovação e uma referência na pesquisa prática com rotinas de pensamento em escolas públicas e organizações do terceiro setor. Em seu site há inúmeras experiências pedagógicas documentadas.

Além disso, no site das propostas mão na massa (maker) do Project Zero — o projeto Agency by Design — encontram-se várias traduções para o português desenvolvidas pelo Instituto Catalisador. Conheça essas rotinas em português aqui.

No Brasil já encontramos diferentes iniciativas de tradução e estudo das Rotinas de Pensamento. Gostamos de citar como referência o recém-lançado livro de Fabiola Plácito, resultante de sua dissertação de mestrado na USP: As rotinas de pensamento visível do Project Zero de Harvard e a neuroeducação.

 o pioneiro Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Juliana Lencastre para a Unicamp, um ebook da Fundação Telefônica organizando um Menu de Aprendizagens para Docentes, e um artigo ilustrado que escrevemos sobre nossa Abordagem para Tornar Visível a Aprendizagem, publicado no ebook aberto Educação: atualidade e capacidade de transformação do conhecimento gerado (ANDRADE, 2020, pp.226-235).

Consolidando-se como importante referência de obra coletiva, Aprendizagens Visíveis: experiências teórico-práticas em sala de aula (Pandabooks, 2020), é uma coletânea de onze artigos totalmente focados em experiências brasileiras. O prefácio do professor José Moran e nossa introdução ao tripé teórico das Aprendizagens Visíveis — composto pela abordagem Reggio Emilia, pelas pesquisas do Project Zero da Harvard Graduate School of Education e pela meta-análise do professor John Hattie, da Universidade de Melbourne — estão disponíveis em acesso aberto aqui.

Em breve teremos novas traduções e materiais em português!

Referências Citadas:

ANDRADE, J.A. “A Abordagem para Tornar Visível a Aprendizagem e a centralidade da tecnologia digital”. In: Educação: Atualidade e Capacidade de Transformação do Conhecimento Gerado 3. Paraná: Atena Editora, 2020, v.1, p. 225-231. Disponível em: <https://www.atenaeditora.com.br/post-ebook/3401>

LENCASTRE, J. “Rotinas de pensamento: construindo uma cultura de pensar para desenvolvimento da autonomia intelectual e moral”. Trabalho de Conclusão de Curso/UNICAMP, 2017. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000978557&opt=1

PLACITO, Fabiola. As rotinas de pensamento visível do Project Zero de Harvard e a neuroeducação. São Paulo: Editora Dialética, 2026.

CHURCH, Mark; RITCHHART, Ron. O poder de tornar o pensamento visível: práticas para engajar e empoderar todos os aprendizes. Porto Alegre: Penso, 2025.

RITCHHART, R.;  CHURCH, Mark. The power of making thinking visible. Practices to engaje and empower all learners. San Francisco: Jossay-Bass, 2020.

RITCHHART, R. Creating cultures of thinking: The 8 forces we must master to truly transform our schools. John Wiley & Sons, 2015.

RITCHHART, R; CHURCH, Mark; MORRISON, Karin. Making thinking visible: How to promote engagement, understanding, and independence for all learners. San Francisco: Jossay-Bass, 2011.

Respostas de 17

  1. Quanto mais desenvolvermos rotinas de pensamentos dentro da sala de aula, buscando compreender o pensamento dos estudantes, teremos possibilidades de compreendermos sua aprendizagem. O documento, serve como um norteador, uma bússola para reflexão do professor, e não, somente para avaliação final. É como um processo ensino/ aprendizagem.

  2. O curso da unidade VII, trouxe muitas contribuições pedagógicas, e esclareceu de forma transparente sobre a questão da rotina de pensamento.

  3. Muito grata pelas grandes contribuições. Tenho certeza que com muito empenho, pesquisando, estudando, experimentando, trocando, compartilhando experiências, provocando e sendo provocada nesta trajetória pedagógica, minha vida, meu trabalho com as minhas queridas crianças, com a equipe da unidade escolar, com as famílias, o processo de educar se tornará ainda mais rico.
    Para finalizar deixo aqui uma citação que para mim diz tudo em poucas palavras o verdadeiro significado de educação.

    A educação é um processo social, é desenvolvimento . Não é a preparação
    para a vida,é a própria vida.

    John Dewey

  4. Considera-se o ensino a construçao do conhecimento pelo aluno.O aluno é o sujeito ativo de seu processo de formação e desenvolvimento intelectual, afetivo e social: o professor tem o papel de mediador do processo de formaçao do aluno; a mediaçao própria do trabalho do professor é a de favorecer/propiciar interação (encontro/confronto)entre o sujeito(aluno) e seu objeto de conhecimento (conteúdo escolar). Nessa mediação, o saber do aluno é uma mediação importante do seu processo de conhecimento(processo de ensino-aprendizagem).

  5. importância também se revela como forma de expressão poética e de comunicação disponíveis às experimentações das crianças.

  6. O conhecimento é a linguagem de um mundo culturamente vivido. É o sentir, o pensar, o dizer sobre as coisas. É a construção do discurso de muitas linguagens na construção de experimentação, o aluno descobre possibildades de expressão e pode experimentá-las.

  7. Fiz uma reflexão sobre diversas situações onde adultos, jovens e crianças poderão construir conhecimentos de maneira significativa partindo do seu território e ampliá-los para outros por meio da leitura e experiências transformadoras.

  8. Boa noite, com o decorrer dos anos eu aprendi a entender o tempo de cada criança, respeitar suas hipotéses e acima de tudo o seu direito universal de ser criança. Estou sempre atenta, aprendendo, e me encantado com o ser criança, que me leva para um lugar especial também.

  9. MUITO PERTINENTE REFLETIR E APRENDER SOBRE ROTINAS DE PENSAMENTO. COMO É BOM AMPLIAR OS NOSSOS CONHECIMENTOS NA AREA DA EDUCAÇÃO.

  10. Compartilhar experiências e reflexões de forma coletiva é o melhor caminho para a mudança educacional de que necessitamos.

  11. A escola, especialmente a Educação Infantil é feita de sentidos. Tudo é construído através dos sentidos, dos significados. Me preocupo muito no que estamos transformando os espaços e os tempos dentro da escola, porque a liberdade de criação precisa ser garantida como um direito.
    Construir um PPP que represente a unidade da escola, as características do território é algo que leva estudo e observação constante, porque a comunidade muda constantemente assim como suas necessidades. Por isso é essencial que nós também temos garantidos tempo para pensar a escola contemporânea, a escola dos meninos que criam, recriam, prestam atenção, transforma sua realidade familiar com o que aprende .
    Nossas formações pedagógicas é uma oportunidade de ouvir e construir coletivamente uma escola para todos. Não é falar da sua turma, das suas dificuldades diárias, mas propor condições para que as dificuldades sejam superadas futuramente. Prestar atenção no que pode ser feito, dividir responsabilidade, contar com quem está disposto a ajudar. Gostaria que os HTPCs fossem nesse formado, que todos pudessem entender que o aluno do G2 logo será aluno do G4 e essas dificuldades precisam ser levadas a sério para serem extinguidas se possível.
    Quem vive dentro de uma escola desde quando foi aluno deve entender que as mudanças partem de todo mundo e todos podem colaborar. Uma educação integral é aquela que vai além da escola, que cria possibilidades, oportunidades …

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